Ontem o Coletivo 3T reuniu-se para seu encontro semanal de trabalho de criação do projeto CRIANTES.
Cristal,Gugu, Leão e Li Berta fizeram relatos do que trabalharam durante a semana e como planejaram seus processos de busca de um caminhar para suas personas nos solos em criação.
Cristal e Li Berta cresceram em perfis narrados e demonstraram um avanço em suas propostas cênicas apoiadas na narrativa. Cristal também demonstrou em exercício cênico uma descoberta do espaço, esse litoral selvagem onde seu olhar destaca formas e texturas que a inspiram como artista plástica e se relaciona as flores,especialmente com as orquídeas do lugar. Colhe algumas delas e enfeita-se colocando-as nos cabelos antes de sair da cena.
Gugu se valeu das reflexões e do exercício proposto para encontrar um movimento com os pés que o impulsionou a uma vivência interna (uma energia subindo da terra) que se desdobrou em mais um relato.
Leão por sua vez demonstrou em um exercício cênico que sua persona tem um caminhar lento que revela serenidade e domínio do espaço, um olhar que projeta uma amplidão e uma expressão misteriosa.Fizemos uma leitura de que Leão é um homem de sabedoria, alguém que vive em harmonia consigo mesmo e com a natureza em que vive.
Li Berta Pontes em seu relato revela que é uma mulher que ficou viúva recentemente e que está buscando estar naquela praia por tempo indeterminado para adaptar-se à nova vida onde pode dedicar-se apenas a sua existência e elaborar as memórias de anos de dedicação a sua relação afetiva.
Suas caminhadas são leves com o corpo sempre buscando sair do chão e alçar vôo.
Um clima de disposição para a cena se instala e para o próximo encontro serão demontradas células cênicas preparadas ou improvisadas. Os solos começam a se erguer alegremente.
A síntese do encontro foi a reflexão sobre os limites entre o ficcional e o biográfico. A figura do performer ancora,por enquanto, o terceiro elemento que transgride os limites entre a instância ficcional e a biográfica, pois para ele esses limites são friccionados e não fazem diferença para a criação. O solo que se constrói na elaboração, seleção de conteúdos criativos e libertários que favorecem a catarse individual. A construção desse terceiro elemento que incorpora o biográfico e o ficcional tangencia a idéia de pseudologia (termo usado por psiquiatras ao tratar de delírios e mentiras no contexto mental).
Essa é a questão central contínuamente pensada, sentida e vivida nessa proposta de teatro, terapia e terceiros elementos.
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